Renan Vieira: histórias do ex-presidente que colocou o próprio dinheiro no Leão; acompanhe a entrevista

Fevereiro 14, 2021 0 Por Simone Gomes

Ser presidente do clube de coração nunca foi objetivo de Renan Vieira. Mesmo acumulando outros cargos dentro do Fortaleza, no momento em que o clube mais precisou e necessitou de um gestor, ele era o único nome disponível.

“Caiu no meu colo, porque em 2008 o Fortaleza estava com 98% de chance de cair. Nessa época eu estava longe por uma circunstância lá, o Lúcio Bomfim pediu para eu tirar o Fortaleza do rebaixamento, então pedi para ele trazer o Sérgio Papellin do Remo, ele veio e trabalhamos muito e tiramos o Fortaleza do rebaixamento”, conta Renan. 

“Iria ter eleição no final do ano, então acabou nem tendo. Lúcio olhou pra mim e disse que eu iria ser, mas eu não queria. Fomos aclamados, sem oposição e entrei como vice. Então no fim de 2009, exigiram a renúncia do Lúcio e eu assumi, sozinho e quando a ficha caiu, bateu um desespero porque ninguém quis assumir nenhum outro departamento”, completou.

Do bolso para o clube

Na época, pela dificuldade financeira que o Fortaleza atravessou, algumas informações de bastidores apontavam que Renan ‘tirou’ dinheiro do próprio bolso para colocar no clube, valor que gira em torno de um milhão de reais.

“Eu tinha uns carros particulares e eu vendia para a pessoa física Renan Vieira, então com esse dinheiro eu fazia caixa e colocava no Fortaleza. Era uma situação complicada, além disso, eu tinha umas economias guardadas. E é importante frisar que no balanço do Fortaleza, em cima de uma auditoria independente, o conselho fiscal junto do conselho deliberativo deu um crédito a meu favor de 1 milhão e 174 mil. O Jorge (Mota) pediu para eu renunciar a esse dinheiro, porque era uma dívida grande. Então registrei essa saída para não prejudicar o clube”, revelou Renan Vieira.

Venda de Osvaldo

Lúcio Bomfim e Renan Vieira formavam a diretoria do clube entre 2008 e 2009, antes de Renan assumir a presidência. Nessa época, havia dois fortes nomes que vinham da base, o atacante Osvaldo, hoje no tricolor, e o centroavante Adaílton, uma das principais referências dos juvenis.

“Osvaldo estava muito bem em 2008 e o Fortaleza tinha muitas dívidas pesadas. Na época eu e o Paulo Arthur, que era diretor financeiro fomos no Bradesco e sacamos um milhão de dólares. Na época, a cotação não era tão alta, então foi cerca de um milhão e meio de reais somente para pagar algumas dívidas que o clube tinha”, contou.

“Em relação ao Adaílton, os empresários e ele fugiram com o jogador, ficaram o ano de 2009 desaparecidos, Papellin foi atrás do jogador, mas os empresários não deixaram falar com ele. Então falei com Alex Portela, presidente do Vitória, pedindo para ele recuperar o Adaílton e liberar um percentual pra gente, e ele topou na hora. O valor era de meio milhão, mas esse dinheiro só entrou na gestão Osmar Baquit”.

O presidente do tetra

Após ter assumido a presidência do clube, havia a grande responsabilidade de buscar o inédito tetracampeonato. O emocionante título do primeiro turno deixava o Fortaleza com reais chances de alcançar a glória máxima da história naquele momento. Na semana do tetra, Renan fez uma promessa para o elenco.

“Eu ofereci a eles toda a renda de bilheteria, o chamado ‘bicho molhado‘, caso a gente fosse tetracampeão”.

O curioso foi o treinador escolhido para buscar o tetra. Zé Teodoro tinha sido comandante do Ceará em 2006 quando tirou tetra do tricolor.

“Ficamos fora da final do segundo turno, então fomos treinar no CT Ribamar Bezerra, o Zé Teodoro montava o time marcando a saída do Michel, João Marcos e Heleno e montava o Coquinho para colar na transição do Geraldo. Eu até questionei se fosse outro adversário, o Zé falava: ‘presidente, pelo amor de Deus! Vai ser o Ceará’. Ele foi perfeito na estratégia, no primeiro jogo com ‘gol espírita’ do Paulo Isidoro… no segundo, por descuido perdemos e foi para os pênaltis. A preleção do Isidoro antes do jogo foi sensacional, motivou demais o nosso grupo, disse que tinha muitos jogadores jovens, mas ninguém iria correr mais que ele, foi arrepiante as palavras dele”, relembrou.

(FONTE: Diário do Nordeste)