Sob investigação, candidaturas laranjas são desafios à fiscalização

Sob investigação, candidaturas laranjas são desafios à fiscalização

Setembro 15, 2020 0 Por Simone Gomes

Com o processo eleitoral deste ano já em curso, a Polícia Federal ainda investiga possível desvio de recursos do fundo eleitoral em 2018; órgãos fiscalizadores se preparam para os desafios do monitoramento neste ano

A menos de dois meses para as eleições municipais deste ano, possível desvio de recursos do fundo eleitoral em 2018, a partir de candidaturas laranjas, continua a ser investigado pela Polícia Federal. Ontem, foi deflagrada a operação Spectrum, que investiga recursos enviados à então candidata a deputada estadual Débora Ribeiro (Pros).

Com investigação relacionada a outro partido também em curso, a fiscalização de eventuais irregularidades envolvendo uso de dinheiro público para financiamento de campanhas ainda representa desafios para órgãos fiscalizadores. 

Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos, ontem, na sede estadual do Pros, em um escritório de contabilidade, em uma empresa gráfica, em um posto de gasolina e nas residências da investigada e dos proprietários das empresas. As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Eleitoral no Ceará.

A PF trabalha com a hipótese de que os recursos do fundo eleitoral destinados a Débora Ribeiro tiveram outro destino. A candidata recebeu R$ 274 mil do Pros para gastar na campanha eleitoral, mas obteve apenas 47 votos. “É o fim que a gente precisa descobrir na investigação: se (o dinheiro) foi utilizado para campanha de outros candidatos ou para enriquecimento ilícito dela mesmo ou de outra pessoa relacionada a ela”, explicou o delegado regional de investigação e combate ao crime organizado da PF no Ceará, Paulo Henrique Oliveira.

Por meio de nota, o Pros informou que entregou documento referente à candidatura de Débora Ribeiro, “está colaborando com a PF na elucidação do caso” e “aguarda a apuração plena da denúncia”. O partido, comandado pelo deputado federal Capitão Wagner, informou ainda que a distribuição de recursos é responsabilidade do diretório nacional. 

A reportagem entrou em contato com Débora Ribeiro por meio dos telefones apresentados no registro de candidatura dela, mas as ligações não foram atendidas. 

Fonte: Diário do Nordeste.